Hoje, pela primeira vez, não usei cachecol, troquei o casaco de inverno por um menos quente e saí sem guarda-chuva. Claro que os ingleses andam todos de t-shirt como se o tempo estivesse espectacular... mas dizer-lhes que 17 graus não é nada de especial seria mauzinho da minha parte!
Os ingleses - vamos generalizar! - têm algumas coisas bastantes estranhas, aliás... Por exemplo, não se vê ninguém falar ao telemóvel! Mas esta gente não tem vida social e familiar para programar? Ou simplesmente fazem-no sozinhos, fechados numa sala, sem que ninguém esteja a olhar? OK, pode ser só uma questão de educação.
Também se vê muito pouca gente a ouvir i-pod na rua... Será que a Apple só vende para Portugal?! Aqui, na verdade, as poucas pessoas que vi com headphones iam a fazer jogging... Ora, eu já nem imagino o que seja andar no metro em Lisboa sem música, por exemplo! Também é uma questão de educação?
Há outras coisas estranhas: falam muito sobre trabalho, mas muito pouco sobre a sua vida real. (A vida real deles é o trabalho?) Quer dizer, não há cá intimidades para ninguém! E por intimidades entendam-se coisas tão simples como ter um cão ou um gato, ou ter saudades de casa ou não... Não volto a perguntar, prometo!
Mas aquilo que me tem feito mais confusão é a transição "simpatia/eficiência" para a "indiferença" no momento em que o "dever" termina. Quer dizer, são inexedíveis enquanto estão a desempenhar a função que é esperado que desempenhem! São fantásticos mesmo! Mas no segundo a seguir a terminarem essa função, a conversa acaba e dizem adeus com a maior naturalidade.
Por exemplo, tive um problema com o acesso à intenet no meu quarto. Fui ter com o técnico de informática (é excelente ter um técnico a quem recorrer, claro!), que foi uma simpatia. Mas mal terminou de configurar o que era necessário, devolveu-me o portátil para as mãos - ainda ligado - e continou a trabalhar no que estava a fazer antes de eu o ter interrompido. Claro que mo devolveu com um sorriso! Mas... Percebem?
Na quinta-feira passada fui sair com outros alunos do Colégio. No final, na altura em que o grupo decidiu que era hora de ir embora, disse ao rapaz com quem estava a falar para esperar um minuto por favor, que eu ia só à casa de banho. O que é que aconteceria em Portugal? Todo o grupo esperava, até porque seria suposto despedirmo-nos todos uns dos outros, e principalmente porque grande parte do grupo viria para a mesma residência que eu, logo, viriamos todos juntos. Certo?
Bom, quando voltei do WC estava o pobre rapaz à minha espera, de facto... Mas mais ninguém! Perguntei pelos outros. Tinham ido embora. O rapaz - que, vejo eu agora, deve ter achado estranhíssimo eu ter-lhe pedido para esperar por mim! - não mora na mesma residência que eu, pelo que fiz metade do caminho sozinha, quando 2 minutos à minha frente seguia grande parte do grupo... Isto não tem lógica, pois não? Claro que, durante toda a noite, foram todos very friendly! Simplesmente, eles pensam, sentem e agem de maneira diferente. É o verso da medalha da simpatia e da eficência. Não há povos perfeitos, portanto...
Uma portuguesa partilha as experiências, alegrias e espantos vividos por terras de Sua Majestade...
sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Saudades?
Comovi-me quando vi garrafas de vinho do Porto numa prateleira do Tesco... Comovi-me quando numa televisão, num bar, faziam zapping e pude assistir ao livre do Carlos Martins, no jogo do Benfica contra o Braga... Comovi-me quando vi garrafas de Mateus Rosé no Salsbury's... Comovi-me quando vi Pessoa (traduzido) numa montra de uma livraria... Comovi-me quando de raspão ouvi falar português, embora com sotaque do Brasil... Saudades deve ser isto... E talvez só se perceba realmente o quanto se gosta de Portugal quando se sai do país...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A Residência
EPA Centre é como se chama a minha residência.
O Lincoln College conta com vários edifícios para alojar os seus alunos. Todos os outros são mais próximos do colégio, mas este foi construído em 2005, o que quer dizer que tem todas as comodidades modernas. Além disso, está a menos de 15 minutos a pé do Colégio. Ou seja, é muito central! É esta a razão, aliás, por que a maioria dos alunos do Lincoln não tem bicicleta, ao contrário dos dos outros colégios: as nossas residências, o colégio e os principais serviços (nomeadamente, as bibliotecas e o Tesco...) estão a curtas distâncias, que se fazem mais rapidamente a pé do que numa bicicleta...
E, sim, o meu quarto é óptimo! Tem WC privativo, recebe imensa luz do sol, tem uma secretária gigante que faria inveja a qualquer estudante de doutoramento...
E, sim, o meu quarto é óptimo! Tem WC privativo, recebe imensa luz do sol, tem uma secretária gigante que faria inveja a qualquer estudante de doutoramento...
A residência está dividida em pequenos apartamentos. Cada apartamento tem 3 quartos como o meu e uma cozinha comum aos 3 alunos. A cozinha seria óptima e a ideia de a partilhar apenas com duas pessoas não seria nada má, se... não se desse o caso de eu ter um apartment mate que acha que a louça que usa não é para lavar e que o frigorífico é todo para ele!!! Enfim, já que a cantina do Colégio é realmente boa, vou fazer o máximo por comer todas as refeições fora...
Mais uma vez, aqui ficam uma imagem sacadas da net. Infelizmente não há nenhuma do interior dos quartos...
EPA Centre:

O Colégio
Ora bem, vamos começar pelo mais importante: o Lincoln College é um sonho, a minha residência é considerada a mais luxuosa de Oxford, a cantina do colégio tem fama de ser a melhor da Universidade e a "associação de estudantes" organiza eventos sociais em série!


aqui o segundo jardim, com a actual capela ao fundo:

aqui o Hall, ou seja, a cantina:

e aqui a ex-capela/actual biblioteca:
Para já, o colégio! O edifício data do século XV e mantém-se em funcionamento desde então até hoje. É fantástico como a "modernidade" foi sendo acrescentada... Imaginem subirem uma estreita escada em caracol de uma das torres e, de repente, passarem desse cenário medieval para um outro onde transborda a tecnologia, pois no topo da torre fica nada mais nada menos do queo departamento de informática!
Aliás, o edifício é tudo aquilo que se espera de um colégio em Oxford: super-central, numa rua estreitinha, com um jardim quadrado na entrada e um pináculo a impôr-se no horizonte...
A rua é a Turl Street, paralela à Bodleian Library (que conta, na sua colecção, com todos os livros alguma vez publicados no Reino Unido) e perpendicular à High Street (não é preciso explicar, pois não?).
A rua é a Turl Street, paralela à Bodleian Library (que conta, na sua colecção, com todos os livros alguma vez publicados no Reino Unido) e perpendicular à High Street (não é preciso explicar, pois não?).
O jardim da entrada é apenas um dos três que se vão sucedendo à medida que percorremos os corredores da Idade Média semi-fechados/semi-ao ar livre... Mas só num deles podemos sentar-nos na relva. E toda a gente cumpre, claro!
Na verdade, uma vez cruzado o portão de entrada do Lincoln, as surpresas vão-se sucedendo. Por exemplo, o Hall, a sala que serve de cantina - a tal que é óptima, eu confirmo -, sofreu algumas alterações, mas desde o século XIX que se mantém como é hoje! Usada diariamente! E parece que estamos a jantar num filme de época.
A antiga capela foi transformada em Biblioteca no século XX. Quando lá entrei a primeira vez fiquei abismada! Mesmo depois de ter ido à Bodleian, continuei a ficar abismada de cada vez que lá entrei... É o pináculo desta ex-capela que se vê à distância!
Tudo isto faria mais sentido se fosse lido acompanhado de fotos... Pois, mas a minha máquina está sem bateria e não trouxe o carregador!!! Terei que esperar pelas visitas para poder tirar fotografias... Mas aqui estão algumas imagens que tirei na net, para seguirem o que vou dizendo:
aqui está uma visão panorâmica do Colégio:

aqui o jardim frontal, a primeira coisa que se vê assim que se espreita do portão:

aqui o segundo jardim, com a actual capela ao fundo:

aqui o Hall, ou seja, a cantina:

e aqui a ex-capela/actual biblioteca:

quinta-feira, 21 de abril de 2011
A simpatia do Lincoln College
Já elogiei a origanização britânica. Mas, confesso, ainda não deixou de me surpreender - e ainda estou em Portugal! Aliás, mais do que a organização, o que me tem deixado agradavelmente surpreendida é a simpatia com que uma mera visiting student portuguesa (eu, pois) é tratada pelo staff de um dos mais antigos Colégios da Universidade de Oxford.
É verdade, ainda não cheguei e já me sinto recebida com a maior afectividade por parte de todos os elementos do Lincoln College com quem já troquei e-mails. Imaginem que até já recebi um e-mail do secretariado encarregue da organização de eventos sociais a dizer que era muito bem-vinda e que contavam comigo para os próximos eventos!
Para não falar, claro, do facto de já ter o primeiro encontro marcado com a minha tutora para o dia seguinte à minha chegada, ou do facto de ter um kit de roupa de cama reservado para mim, à minha espera... Ou de saber exactamente os nomes das pessoas que tenho de contactar à chegada e quais os assuntos que cada uma delas irá resolver. Já sei quem me entregará a chave do quarto, quem me entregará o cartão da biblioteca... Tudo isto tratado com uma simpatia tal que faz parecer que eles se sentem muito orgulhosos por me receber!!
Esta atitude faz-nos sentir tão seguros e felizes... Seria tão melhor se, em Portugal, também fossemos assim... Infelizmente, achamos que ser simpático é ser subserviente, que ser humilde é humilhante... Esta simpatia do Lincoln College tem-me feito pensar nisto. É uma pena não sermos mais assim...
É verdade, ainda não cheguei e já me sinto recebida com a maior afectividade por parte de todos os elementos do Lincoln College com quem já troquei e-mails. Imaginem que até já recebi um e-mail do secretariado encarregue da organização de eventos sociais a dizer que era muito bem-vinda e que contavam comigo para os próximos eventos!
Para não falar, claro, do facto de já ter o primeiro encontro marcado com a minha tutora para o dia seguinte à minha chegada, ou do facto de ter um kit de roupa de cama reservado para mim, à minha espera... Ou de saber exactamente os nomes das pessoas que tenho de contactar à chegada e quais os assuntos que cada uma delas irá resolver. Já sei quem me entregará a chave do quarto, quem me entregará o cartão da biblioteca... Tudo isto tratado com uma simpatia tal que faz parecer que eles se sentem muito orgulhosos por me receber!!
Esta atitude faz-nos sentir tão seguros e felizes... Seria tão melhor se, em Portugal, também fossemos assim... Infelizmente, achamos que ser simpático é ser subserviente, que ser humilde é humilhante... Esta simpatia do Lincoln College tem-me feito pensar nisto. É uma pena não sermos mais assim...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Antes da partida
A organização britânica impressiona desde muito antes de aterrarmos em Heathrow... Com três meses de antecedência já sei em que residência vou ficar alojada, como será o meu quarto, a quem me devo dirigir à chegada a Oxford, qual a distância que separa o alojamento do Colégio... Já recebi e-mails de quatro pessoas diferentes, cada uma encarregue de um assunto específico, todas a trabalhar em rede. Esclarecem todas as minhas dúvidas e quase que os sinto felizes, via monitor de PC, por o poderem fazer.
Pedem-me tão poucos dados pessoais que desconfio... Será que é mesmo possível fazer o que quer que seja sem indicar o número de contribuinte?!
O formulário de inscrição tem um campo para escrevermos o nome por que preferimos ser tratados. A partir do momento em que o envio, toda a gente passa a tratar-me por Rita. Nada de Ana, nada de Ana Rita, nada de Ana Rita Ferreira, muito menos Dra, que este não é um país cheio de complexos de inferioridade... Rita apenas - pois se foi assim que eu disse preferir ser chamada!
Enviaram-me um mapa da Google com todas as indicações! Juro! Demoro 13 minutos da Museum Road, onde fica a residência de estudantes, à Turl Street, sede do Lincoln College. On foot, claro.
E confiam naquilo que lhes digo sem me pedirem nenhum comprovativo em troca: se afirmo que já fiz a transferência bancária é porque já fiz a transferência bancária. Eu, tuga, envio cópia do recibo (escrito em português...) para garantir que nada atrapalhará a reserva do meu quarto por mais duas semanas para além do período lectivo - quero chegar uma semana antes do início do term e voltar uma semana depois das aulas terminarem e esse extra é pago do meu bolso. Dizem-me que there was no need... Devem confirmar eles próprios no extrato da conta deles, pois... Sem que eu me aborreça com nada, pois... Aliás, no tal formulário de inscrição tive que colocar o nº do BI, mas nem pensar em enviar cópia! Eles acreditam em mim, não parte do princípio de que estou a mentir... Que estranho...
Pedem-me tão poucos dados pessoais que desconfio... Será que é mesmo possível fazer o que quer que seja sem indicar o número de contribuinte?!
O formulário de inscrição tem um campo para escrevermos o nome por que preferimos ser tratados. A partir do momento em que o envio, toda a gente passa a tratar-me por Rita. Nada de Ana, nada de Ana Rita, nada de Ana Rita Ferreira, muito menos Dra, que este não é um país cheio de complexos de inferioridade... Rita apenas - pois se foi assim que eu disse preferir ser chamada!
Enviaram-me um mapa da Google com todas as indicações! Juro! Demoro 13 minutos da Museum Road, onde fica a residência de estudantes, à Turl Street, sede do Lincoln College. On foot, claro.
E confiam naquilo que lhes digo sem me pedirem nenhum comprovativo em troca: se afirmo que já fiz a transferência bancária é porque já fiz a transferência bancária. Eu, tuga, envio cópia do recibo (escrito em português...) para garantir que nada atrapalhará a reserva do meu quarto por mais duas semanas para além do período lectivo - quero chegar uma semana antes do início do term e voltar uma semana depois das aulas terminarem e esse extra é pago do meu bolso. Dizem-me que there was no need... Devem confirmar eles próprios no extrato da conta deles, pois... Sem que eu me aborreça com nada, pois... Aliás, no tal formulário de inscrição tive que colocar o nº do BI, mas nem pensar em enviar cópia! Eles acreditam em mim, não parte do princípio de que estou a mentir... Que estranho...
Subscrever:
Mensagens (Atom)